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Olhe à sua volta
- A pobreza escondida existe
A pobreza escondida existe
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"Uma sardinha não deve ser para três" é mais do que uma metáfora sobre comida. É sobre tudo aquilo que se reparte ao limite por quem já pouco tem para repartir.
É a pobreza no prato, no lanche que falta à criança na escola, no prato que não se enche ou na roupa bem passada que esconde um frigorífico vazio.
É a pobreza energética, na casa fria durante o inverno.
É a pobreza nos cuidados de saúde, na caixa de medicação que fica por comprar.
É a pobreza social, na recusa constante a convites de amigos e família para uma refeição fora em convívio.
É a pobreza laboral, quando mesmo com um salário, não se consegue pagar a renda ou empréstimo da casa.
É a pobreza emocional, no isolamento de quem se vai afastando em silêncio.
Esta é a pobreza escondida, aquela que vive ao nosso lado, mas nem sempre conseguimos ver.
Esconde-se no sorriso contido de quem, por dentro, carrega a angústia de não conseguir mais sozinha. Protege-se com medo de ser julgada, com vergonha de admitir fragilidade, com receio de pedir ajuda.
É a pobreza que se disfarça com dignidade... Mas que destrói em silêncio.
"Uma sardinha não deve ser para três" é mais do que uma expressão popular - é um alerta.
Porque ninguém devia ter de dividir o mínimo para conseguir sobreviver. Seja uma refeição, um cobertor, o pagamento da renda ou um momento de atenção.
A dignidade humana começa com o essencial garantido, não repartido às migalhas, mas assegurado com justiça. Um prato cheio, uma casa quente, um ouvido atento, um apoio firme.
A ação OLHE À SUA VOLTA é um convite à atenção, à empatia e à ação.
É um apelo para que se pare, observe e perceba que, não raras vezes, quem mais precisa é quem menos o demonstra.
A pobreza escondida existe.
E começa a acabar quando, com atenção e cuidado, decidimos olhar à nossa volta.
OLHE À SUA VOLTA:
• Repare nos pequenos sinais: ausências frequentes, recusa de convites, mudanças de humor ou aparência;
• Fale com sensibilidade e respeito. O apoio começa na escuta;
• Partilhe recursos e redes de apoio locais - ou ajude quem não consegue dar esse passo;
• Sinalize. Contacte a Equipa Radar Social de Vila do Conde através do 252 248 400 ou radar.social@cm-viladoconde.pt
NÚMEROS E DESTAQUES
Em Portugal, em 2023:
• 17% da população vivia em risco de pobreza (cerca de 1.7 milhões de pessoas com menos de 591€/mês) – mais de 1 em cada 6 portugueses;
• 20,1% enfrentava pobreza ou exclusão social (cerca de 2.1 milhões de pessoas) – quase 1 em cada 5 portugueses.
E ainda:
• 39,8% das famílias não conseguiam substituir mobiliário usado;
• 30,5% não conseguiam cobrir despesas inesperadas;
• 20,8% não conseguiam manter a casa adequadamente aquecida;
• 4,9% da população vivia em privação material e social severa;
• 2,3% não conseguia custear uma refeição de carne ou peixe pelo menos de 2 em 2 dias;
• 5,2% tinha atrasos em pagamentos de rendas, créditos ou despesas da casa.
Fonte: Pobreza e exclusão social em Portugal, Relatório 2024, Observatório Nacional de Luta contra a Pobreza, EAPN Portugal | Indicadores oficiais (INE – Inquérito às Condições de Vida e Rendimento 2023)
RECURSOS E LINHAS DE APOIO
• Radar Social de Vila do Conde
Contacto: 252 248 400
Email: radar.social@cm-viladoconde.pt
• Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social Integrado de Vila do Conde
Contacto: 252 248 400
Email: saasi-viladoconde@cm-viladoconde.pt
• Linha Nacional de Emergência Social
Contacto: 144
Oferece apoio em situações de emergência social.