-
Início
-
Serviços
-
Serviços Municipais
-
Ambiente e Ação Social
-
Ação Social
-
Radar Social
-
Olhe à sua volta
- Entre quatro paredes não se descobre o mundo
Entre quatro paredes não se descobre o mundo
![]()
Lembra-se de brincar até escurecer, sem relógio, sem pressa?
Brincar é o primeiro modo de aprender. É a forma mais genuína que as crianças têm de compreender o mundo e a si próprias.
Desde cedo, o brincar livre, aquele que não segue regras impostas nem objetivos definidos, é essencial para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.
Nos primeiros anos de vida, cada descoberta conta. Correr, subir, sujar-se, inventar jogos ou criar histórias são experiências que fortalecem o corpo, o pensamento e a imaginação. É nesse espaço livre que nasce a curiosidade e a criatividade. É o lugar privilegiado onde a criança resolve problemas, constrói confiança e desenvolve autonomia.
Lá fora, brincar ganha outra dimensão
Fora de casa — no parque, na praia, no jardim ou simplesmente na rua, o brincar transforma-se.
O contacto com a natureza estimula os sentidos, desperta a curiosidade e ensina o respeito pelo ambiente. Brincar ao ar livre é mais do que correr e rir: é experimentar o mundo com todos os sentidos e aprender a lidar com desafios, a cooperar e a criar soluções.
Mas o tempo para brincar parece ter encurtado
Num mundo acelerado, cheio de compromissos e estímulos constantes, até o tempo para brincar se perdeu. As agendas das famílias estão cheias, o trabalho acompanha-nos para casa e os ecrãs substituem com facilidade o espaço e o silêncio. E, sem darmos conta, o "tempo livre" torna-se tempo ocupado.
Com a chegada do inverno, o conforto do lar e a rotina parecem razões suficientes para ficar dentro de portas. No entanto, lá fora continua a existir um mundo cheio de oportunidades para descobrir — mesmo que o chão esteja molhado, seja preciso lavar toda a roupa e tomar banho se torne obrigatório.
Uma criança de galochas e capa de chuva a brincar numa poça está a absorver o mundo por inteiro: sente a temperatura, observa o reflexo da luz, equilibra-se, imagina histórias. Nesse momento, aprende sem pressa, sem metas, presente e inteira.
Nós também precisamos desse tempo
Também nós, adultos, procuramos o ar puro, o som do mar ou a quietude da natureza quando precisamos de respirar fundo. Se nós precisamos de tempo para abrandar, reencontrar o silêncio e sentir o que é essencial, quanto mais uma criança que está a descobrir o mundo e a si própria.
Brincar é o seu modo natural de encontrar equilíbrio, onde o corpo e a mente têm tempo, espaço e presença - a nossa - para crescer.
Parar para brincar, e brincar fora, é também um exercício para nós. Num mundo que nos acelera e dispersa, brincar é um ato consciente de presença. É estar juntos, de verdade. É escolher abrandar o ritmo, recuperar o tempo que deixámos escapar entre urgências e ecrãs, e devolver espaço ao que importa: tempo de qualidade, ligação e leveza.
O brincar aproxima, cura e equilibra — a criança que o faz e o adulto que o permite.
Brincar é aprender. Descubram.
O mundo, lá fora, continua à espera.
E nós também.
Vila do Conde: Aposta estruturada na valorização do Brincar
- Compromisso Municipal: O Município de Vila do Conde integra o grupo de trabalho "Brincar na Cidade Educadora", da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras, partilhando práticas para valorizar o brincar como um direito essencial ao desenvolvimento e bem-estar infantil.
- Projeto-Piloto "Tempo de Brincar" (AEC): No âmbito das Atividades de Enriquecimento Curricular, a Câmara Municipal encontra-se atualmente a implementar num conjunto de escolas do concelho um projeto-piloto que utiliza materiais reutilizáveis e objetos do quotidiano - a chamada "tralha" - em recreios reinventados para o 1.º ciclo, visando estimular a criatividade, cooperação, autonomia e o reconhecimento do brincar como aprendizagem, promovendo a empatia num espaço seguro. A AEC “Tempo de Brincar” tem como consultor o Prof. Doutor Frederico Lopes, Presidente da Associação Portuguesa pelo Direito a Brincar – IPA Portugal e representante português da International Play Association.
- Iniciativa "Brinca na Vila": Este programa, criado no âmbito do Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas da Câmara Municipal de Vila do Conde, promoveu, durante dezoito meses, brincadeira livre e na natureza aos sábados de manhã, fortalecendo a autonomia, criatividade e o convívio familiar através de momentos de brincadeira sem tecnologia.
Números e Destaques
O tempo que falta
- 52,1% das crianças portuguesas brincam menos de 1 hora por dia com a família durante a semana — apenas 9% têm entre 2 a 3 horas de brincadeira diária com os pais.
- As crianças passam, em média, menos tempo ao ar livre do que um preso adulto — em muitos países, menos de uma hora por dia em contacto com a natureza.
As consequências
- 64% das crianças portuguesas com 10-11 anos são pouco ativas fisicamente.
- A UNICEF alerta: a ausência de brincar livre está associada a maiores níveis de ansiedade, isolamento e dificuldades de concentração.
Os obstáculos
- 40,4% dos pais apontam a exaustão e carga de trabalho como principal barreira à brincadeira em família.
- Mais de 40% da população adulta portuguesa pratica atividade física em níveis insuficientes — o exemplo começa em nós.
Os benefícios (quando acontece)
- Crianças que brincam regularmente ao ar livre apresentam melhor coordenação motora, maior criatividade e melhor autorregulação emocional.
- Pais que brincam com os filhos sentem-se mais tranquilos, ligados e felizes, reforçando laços familiares.
Fontes
- Instituto de Apoio à Criança. (2025, 30 de maio). Brincar é um direito: Estudo revela que mais de metade das crianças em Portugal brinca menos de 1 hora por dia com a família. Instituto de Apoio à Criança. Disponível em: Nota de imprensa: Brincar é um Direito
- Direção-Geral da Saúde (DGS). Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física — Dados sobre atividade física em crianças portuguesas (10-11 anos) e população adulta. Disponível em: Programa Nacional para a Promoção de Atividade Física
- Estudo Global Unilever (OMO/Persil). (2016). Dirt is Good – Free the Kids. Inquérito a 12.000 pais em 10 países sobre tempo de brincadeira ao ar livre em crianças dos 5 aos 12 anos. Disponível em: Estudo: Crianças e Tempo no Exterior
- UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) e posicionamentos sobre o brincar como direito fundamental da criança. Disponível em: Unicef
Recursos
- Reserva Ornitológica de Mindelo
Aceda em: Câmara Municipal de Vila do Conde: Reserva Ornitológica de Mindelo
- Proposta de trilhos a descobrir em Vila do Conde
Aceda em: Percursos Pedestres
Livros sobre Brincadeiras ao Ar Livre
- "Brincar ao Ar Livre" de Helen Bilton
- Este livro destaca a importância das brincadeiras ao ar livre para o desenvolvimento infantil, oferecendo exemplos práticos e reflexões sobre como integrar a natureza no processo educativo.
- "50 Brincadeiras para Fazer ao Ar Livre ou Dentro de Casa"
- Uma coletânea de atividades lúdicas que podem ser realizadas tanto em ambientes internos quanto externos, promovendo a criatividade e o desenvolvimento motor das crianças.
- "Jogos ao Ar Livre" de Walt Disney
- Este livro apresenta 21 jogos divertidos com os personagens da Disney, incentivando as crianças a se movimentarem e interagirem ao ar livre.
Plataformas e Recursos Online
- Rodinhas.pt
- Oferece sugestões de jogos tradicionais ao ar livre, como apanhada, macaca e jogo do lenço, promovendo a interação social e o desenvolvimento físico das crianças.
Aceda em: Jogos tradicionais ao ar livre: explore os 5 melhores – Rodinhas
- Porto Editora – Atividades ao Ar Livre
- Apresenta ideias de brincadeiras que juntam gerações, como corridas de obstáculos improvisadas e aulas de ioga ao ar livre, incentivando a atividade física e a diversão em família.
Aceda em: Atividades ao Ar Livre