Seremos livres?
O último cartaz desta iniciativa chega em abril, o mês da liberdade. E faz uma pergunta sem resposta fácil: Seremos todos livres?
É com essa pergunta que a iniciativa OLHE À SUA VOLTA chega ao fim. E é com essa mesma pergunta que convida cada um a não parar de olhar.
Seremos todos livres?
O cravo desta iniciativa não é só vermelho. É feito de saúde mental, de violência doméstica, de deficiência, do desvalor do brincar, da solidão, do risco digital, de pobreza e exaustão. Oito realidades. Oito razões para continuarmos a olhar.
Não são quadros abstratos. São pessoas. São vizinhos. São famílias. São histórias que acontecem todos os dias, perto de nós, muitas vezes sem que ninguém veja ou sem que alguém decida agir.
Há quem não seja livre porque vive com medo dentro de casa. Há quem não seja livre porque a solidão se tornou a única companhia. Há quem não seja livre porque a saúde mental ainda é tratada como fraqueza. Há quem não seja livre porque a pobreza não deixa margem para escolhas. Há crianças que não são livres porque o mundo adulto não lhes deixa tempo para simplesmente brincar.
A liberdade conquistada em 1974 foi um marco histórico. Mas a liberdade com dignidade, essa ainda está por construir para muita gente. E essa construção é responsabilidade de todos.
10 cartazes. 8 causas. Uma comunidade.
Ao longo de 2025 e até abril de 2026, Vila do Conde parou para olhar. Para nomear o que raramente se diz em voz alta. Para reconhecer que as vulnerabilidades sociais não existem em relatórios, existem em pessoas reais, que vivem neste município, nesta comunidade.
Mês a mês, cada cartaz abriu uma janela sobre uma realidade diferente. A saúde mental que grita em silêncio. A violência que não é privada. Os riscos que chegam pelo ecrã. O esgotamento de quem cuida, sem parar, sem descanso, sem reconhecimento. A pobreza que se esconde atrás de um sorriso. A deficiência que a sociedade ainda não sabe acolher como deve. A solidão que envelhece com os mais velhos. O brincar que se perdeu.
Nenhum destes temas é novo. E todos merecem continuar a ser vistos.
Um olhar atento pode transformar uma vida
Esta iniciativa foi feita com dados, com respostas locais, com parceiros que trabalham todos os dias para que ninguém fique para trás. Mas o seu propósito foi sempre mais simples do que isso: fazer com que cada pessoa perceba que tem um papel.
Um telefonema. Uma palavra. Bater à porta do vizinho. Reconhecer que algo não está bem. Sinalizar. Acompanhar. Não desviar o olhar.
A Rede Social de Vila do Conde e o Radar Social estão disponíveis. Mas a comunidade é, ela própria, a rede mais poderosa que existe. E é nessa rede — feita de pessoas, de laços e de atenção — que reside a capacidade real de mudar vidas.
A iniciativa termina. A comunidade continua.
O OASV vai além de uma iniciativa. É uma mudança de postura. Uma forma de estar — com os outros, para os outros, pelos outros.
A iniciativa encerra. Mas a responsabilidade de cuidar não tem prazo de validade. O OASV fica em cada um de nós — na forma como olhamos, como paramos, como agimos.
Continue a olhar à sua volta.
Um município próximo.
Uma comunidade atenta.
Isso muda vidas.
Porque cuidar começa sempre por reparar.
O Radar Social de Vila do Conde continua próximo e disponível.
radar.social@cm-viladoconde.pt | 252 248 400
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Recursos e mais informações
- Radar Social de Vila do Conde
Telefone: 252 248 400
E-mail: radar.social@cm-viladoconde.pt
- Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social Integrado de Vila do Conde
Telefone: 252 248 400
E-mail: saasi-viladoconde@cm-viladoconde.pt
- Linha Nacional de Emergência Social: Oferece apoio em emergências sociais
Horário: 24h/dia, 7 dias por semana
Telefone: 144 (Gratuito)
