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Exposição de colheres de Pau no Centro de Memória
A tradição da “Feira dos Vinte” ou "Feira Grande de Janeiro" celebra-se na Praça de São João, na próxima sexta-feira, das 10h00 às 16h00, e no Centro de Memória que acolhe, até quinta-feira, a exposição com todas as colheres decoradas pelos alunos das escolas e utentes de Instituições do concelho de Vila do Conde.
Este evento retrata uma feira secular de grande tradição que conjuntamente com a feira de 3 de agosto constituíam as duas feiras francas de Vila do Conde. A estas feiras ocorriam rapazes e raparigas que aproveitavam a ocasião para “travar conhecimentos e amizades” com essas conversas a decorrerem muitas vezes em rimas, passando esta Feira Grande de Janeiro a ser também designada por “Feira dos Namorados”.
De realçar a importância da participação das escolas e das instituições de Vila do Conde na manutenção desta tradição secular.
- A Exposição das colheres de Pau no Centro de Memória pode ser visitada no seguinte horário: Seg: 9h00 às 17h00 | ter a sex: 9h00 às 18h00 | sáb e dom: 10h00 às 13h00 e 14h30 às 18h00
Enquadramento histórico da Feira Grande de janeiro
A instituição da “Feira dos Vinte” recua no tempo, levando-nos até 1704, ano em que D. Pedro II, na sequência de uma solicitação das gentes de Vila do Conde, emite um alvará régio instituindo a Feira Franca de Santo Amaro, a realizar ao dia 20 de cada mês.
Às feiras acorriam lavradores, rapazes e raparigas das freguesias vizinhas, com os seus trajes de festa, bem como comerciantes de locais mais distantes, onde, para além das trocas comerciais, se trocavam também olhares e palavras galanteadoras... Com o passar dos anos, as feiras foram perdendo algum esplendor, no entanto o seu carácter socializante havia de permanecer, já que era um local privilegiado para travar “conhecimentos”, onde as conversas decorriam muitas vezes em rimas e onde as raparigas contabilizavam os rapazes com quem tinham namoriscado, o que acabaria por criar a designação da “Feira dos Namorados”.
As colheres de pau eram o “meio de transporte”, das mensagens apaixonadas que o rapaz oferecia à rapariga com quem mais simpatizasse e que num passado não muito distante, foram pretexto para começar namoros e amores. Passaram os tempos de pedir namoro em verso, mas os alunos das escolas do concelho, todos os anos, recriam esta tradição e, dando largas à imaginação, decoram e «transformam» as modestas colheres de pau em pequenas obras de arte, que posteriormente são vendidas na Feira Grande de Janeiro.