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FOTO VC inaugura exposição de Francisco Rui Apolinário Correia

2024/01/17

"Variações em modo de luz" de Francisco Rui Apolinário Correia inaugura no próximo sábado, dia 20 de janeiro, às 16h30, no Teatro Municipal.

A exposição, com curadoria de FOTO VC, estará patente até 18 de fevereiro de 2024, podendo ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 19h00, e aos sábados, das 10h30 às 12h30.

 

Variações em modo de Luz

Volta-se sempre à questão essencial, sendo que a fotografia, ela mesma, a coloca de uma forma visivelmente interpelativa: face à condição efémera, simultaneamente tão consciente como recíproca do eu e do mundo, como justificar o insistente desejo de fixar o lastro temporal numa imagem fotográfica? Não será porque desses mesmos “instantâneos” nos é possível reconhecer, ainda que de um modo fragmentado, o que somos conjuntamente com a nossa história/memória? Como refere Pierre de Fenoÿl, acentuando o carácter cronofotográfico do nosso modo de estar e de nos relacionarmos com o mundo, “O inventor da minha história não é Niepce nem Daguerre ou Talbot mas Herschell”. Mas Herschell, inventor do fixador/agente químico estabilizador da permanência da imagem fotográfica no respetivo substrato, também terá reconhecido, decerto, que a sua fórmula se revelava inócua para estancar o devir temporal. Talvez se trate então da necessidade de imprimir um sentido a um Tempo nunca resolvido. No entanto, o que não deixa de ser uma luta contra o tempo é, também, uma arte que, na manifesta impossibilidade de encapsular “esse” tempo, possui a virtude de o recolher em forma de luz. Neste ponto, sabemos o quanto é difícil discernir com exatidão o que pertence à técnica e o que se situa na esfera da arte. Não importa aqui discutir o grau de exatidão. Presentemente, uma câmara digital ou um smartphone, são capazes de acolher a luz com uma “atitude” tão rigorosa (porque de algoritmos se trata), quanto prenhe de criatividade! E como fazê-lo com uma câmara escura reduzida a uma simplicidade tão desarmante quanto arcaica, isto é, desprovida de qualquer aparato tecnológico, como o é a câmara pin-hole/estenopeica?

A quinta-essência da fotografia é a luz, tantas vezes conjugada com a sua ausência. Considerada um lugar-comum no discurso fotográfico, esta afirmação poderá ser entendida também como o denominador comum de um conjunto de pontos de vista que ao longo da história da fotografia deram origem a outras tantas teses de carácter ontológico que, por seu labor, tentam dar resposta à questão fundamental, de certa forma já aqui formulada, “O que é a fotografia?”. Seja qual for a perspectiva defendida, poderemos entender o “fazer” fotográfico como pretexto para um exercício de um acto hermenêutico. Assim sendo, a fotografia para além de poder ser vista como um “espelho com memória” (Oliver Wendell Holmes), é também esboço de uma possível interpretação acerca de um real que por estar, pelo menos aparentemente, tão próximo, teima em ocultar-se. “Facilmente aceitamos a realidade, talvez porque intuímos que nada é real” (Jorge Luís Borges). Talvez esta intuição nos livre de uma atitude acrítica perante um mundo que se apresenta em forma de “pack” que deverá ser comprado e consumido, de preferência, no mais curto período de tempo para dar lugar a um novo e mais sofisticado cenário. Assim sendo, não deixa de ser extremamente estimulante, através do acto fotográfico, a construção de um discurso que procure “dizer”, interpelando-se e interpelando, essa mesma voragem/vertigem (social/comunicacional, económica, política, cultural) que possui como palco um mundo no qual tudo acontece em simultâneo e que, frequentemente, só se deixa perceber como um ruído intenso que nos confunde e adormenta o espírito.

 

Francisco Rui Apolinário Correia nasceu em S. João da Madeira (1961).

Licenciou-se em Filosofia na Universidade Católica Portuguesa (Faculdade de Filosofia de Braga).
Frequentou o atelier de fotografia com o professor Aníbal Lemos no Centro de Arte de S. João da Madeira (entre 1988 e 1991) onde obteve formação nas áreas de processamento químico de películas fotográficas a preto e branco, diapositivos e impressão de fotografia (química). Posteriormente experienciou vários “workshops” na área da impressão (química) de imagens a preto e branco, nos laboratórios do Centro Português de Fotografia, assim como no Laboratório “La Chambre Noir” em Paris sob orientação de Guillaume Geneste. Desde 2008, tem vindo a frequentar acções de formação na área da fotografia digital (recolha, tratamento e impressão digital de imagens). Na qualidade de fotógrafo/impressor participou em diversas exposições individuais e colectivas, onde se inclui a participação na 9ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira em representação da Cooperativa Árvore. Ao longo de todo o seu percurso como fotógrafo, até à presente data, tem vindo a colaborar com diversas companhias de teatro (no âmbito da fotografia de cena), nomeadamente com “Os Comediantes/Porto”, com o “Teatro Universitário de Aveiro”, com o “TRIGO LIMPO teatro ACERT/Tondela”, com o grupo de teatro “Fatias de Cá/Tomar”, assim como em projectos educativos/formativos em diversas instituições tais como o Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, a Escola Superior de Teatro e Cinema/Amadora, a Escola Superior de Educação de Coimbra / Licenciatura em Teatro e Educação, na ESMAE/Licenciatura em Teatro / variante Interpretação / Porto, entre outros. Paralelamente, tem desenvolvido novos projectos fotográficos assentes na prática da fotografia digital, para além da continuada prática analógica como é o caso da fotografia estenopeica/pinhole. Nesta área (fotografia estenopeica), tem vindo a ser orador em palestras e mesas redondas bem como tem sido um dos curadores do Porto Pinhole Photography, concurso anual de fotografia pinhole que se realiza no Porto nas Galerias MiraForum.

 

FOTO VC - Ciclo de Exposições de Fotografia

O FOTO VC "nasceu" em abril de 2018 visando a cativação de público(s) e a criação de hábitos culturais na área da fotografia.
Esta arte (cada vez mais democratizada), possuía (até então) um papel secundarizado na programação cultural da cidade. O surgimento deste ciclo de exposições de fotografia em Vila do Conde possibilitou pela seleção e qualidade das mostras que a cidade começasse a ser referenciada no âmbito dos roteiros expositivos da fotografia em Portugal. Até à presente data foram produzidas 31 exposições de fotografia englobando 150 autores nacionais e internacionais. Paralelamente foram levadas a cabo 22 marcantes conversas com diversos fotógrafos envolvendo ainda, nas mesmas, 19 outros diferentes convidados das mais diversas áreas.

A Câmara Municipal de Vila do Conde tem sido (desde sempre) um apoio inequívoco e um parceiro determinante na organização e sistematização das já muitas atividades levadas a cabo pelo FOTO VC.

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