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Rota de Azurara, Retorta e Tougues


Propomos ao viandante um passeio por Azurara, Retorta e Tougues. Sugerimos que inicie este percurso visitando a igreja Matriz de Azurara, templo voltado ao Oceano Atlântico, construído nas primeiras décadas do século XVI e dedicado a Santa Maria A Nova, também conhecida por Nossa Senhora do Leite.

Depois de uma visita atenta, procure ao fundo do templo, as siglas inscritas nas lajes do pavimento, que são, ao que se supõe, as marcas que assinalavam as sepulturas dos pescadores azurarenses. Saindo do templo, o cruzeiro localizado defronte merece o nosso olhar: quinhentista, apresenta, numa das faces, Jesus Cristo crucificado e, noutra, a imagem de Nossa Senhora, padroeira da freguesia. Tome a sua direita e detenha-se no pelourinho, monumento singelo mas de reconhecida importância na história da localidade, evocando os tempos em que Azurara elegia ouvidor e conselho de homens-bons. Contorne-se o templo e, ainda que brevemente, atente-se na gárgula voltada para norte e na magnífica janela orientada a nascente.

Entre agora na Rua Padre Serafim das Neves, abade que pastoreou a freguesia durante décadas. Investigador da sua história e das suas tradições, é uma personalidade querida dos azurarenses a quem prestaram homenagem, erguendo-lhe um busto no adro da sua igreja.

Atravessando a Avenida Mouzinho de Albuquerque, encaminhemo-nos para poente, entrando na Rua Nossa Senhora das Neves. Chega-se à Igreja de S. Francisco e ao Convento conhecido por vários nomes: Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Assunção e dos Franciscanos Capuchos. A instituição do cenóbio data do século XVI, embora restem, nos edifícios, poucos vestígios da época. Atualmente, a Igreja pertence à Ordem Terceira de S. Francisco de Azurara e o edifício do Convento é propriedade particular. A este local acorrem, em Setembro, muitos vilacondenses e poveiros, por ocasião das Festas em honra de S. Donato, santo mártir cujas relíquias repousam na igreja. Seguindo para norte, pela rua dedicada a Francisco Gonçalves Monteiro, piloto azurarense que viveu na segunda metade do século XVI e se encontra sepultado na Igreja de S. Francisco, de cuja capela-mor foi padroeiro. Antes, detenhamo-nos na pequena ermida dedicada a Nossa Senhora das Neves, vizinha do convento, cujo culto é dos mais antigos da localidade e em honra de quem se celebra a festa maior da freguesia.

Reza a lenda que neste local apareceu Nossa Senhora, em forma de pomba, a um pequeno pastor que acompanhava o seu rebanho. A festa de Nossa Senhora das Neves realiza-se todos os anos, no primeiro domingo de Agosto, e é também conhecida por Romaria dos Anéis. O arraial atraia, outrora, grande número de ourives que vendiam, aos rapazes, os anéis em ouro e chumbo com que estes agraciavam as suas pretendidas. Costume ligado a esta festa, e que ainda se mantém, é o de percorrerem a freguesia, 3 vezes ao dia, nos 9 dias que precedem a romaria, tambores, anunciando a festividade. Em tempos idos, o arraial organizava-se à volta da capela, tendo sido, posteriormente, transferido para a área envolvente da Igreja Matriz.

Prosseguindo, agora num troço em terra batida, encaminhemo-nos para a Rua da Junqueira, onde se situa a Capela de S. Sebastião, erguida numa elevação rochosa de onde o santo vela a foz do Ave. Aqui, reuniam-se os pescadores azurarenses para avaliarem o estado do mar e para decidirem se nele se aventuravam ou não.

Sigamos até à Calçada de Sant´Ana, já no limite norte da freguesia, cuja subida acentuada será compensada pela magnífica paisagem que se desfruta do frondoso largo da capela dedicada à avó de Jesus Cristo. Este local era procurado, na segunda-feira de Páscoa, por vilacondenses e forasteiros para degustarem os seus farnéis em lautos picnics, acompanhados de familiares e amigos. As fontes documentais indicam a fundação da capela de Santa Ana como anterior ao século XVI. Defronte da ermida, ergue-se um cruzeiro em substituição de um outro anterior, destruído por um temporal, no qual existia um nicho em que todas as noites se acendia um lampião de azeite cuja luz orientava os homens no mar.

Continuemos, que Azurara ainda tem muito para oferecer ao viandante e, agora já mais repousados, desçamos à Rua das Azenhas para uma breve contemplação do exemplar existente na margem do rio. Deste engenho há notícias desde a 2ª metade do século XIII, embora a construção existente seja uma remodelação datada da primeira metade do século XVI. Subamos e tome-se a direção da Rua Dr. Américo Silva, evocando a figura de D. João de Castro, escritor nascido na Casa de Santa Ana ou dos Vasconcelos em 1871, majestoso solar setecentista demolido, em cujo espaço se instalou uma unidade fabril.

Entre-se agora na antiga rua Direita e detenhamo-nos na Igreja da Misericórdia, congregação instituída por alvará de 1566. Nela se encontra sepultado o capitão de galões Manuel Lopes Nauzinha. Possuiu hospital instalado no edifício fronteiro ao templo, que ainda funcionava em 1855.Nesta igreja, festeja-se, nos inícios de Dezembro, S. Nicolau. Prossigamos caminho pela rua principal de Azurara, onde ainda hoje se manufaturam e comercializam peças de vestuário tricotadas com lã grossa de cor branca ou parda. Estes artefactos acompanhavam os homens no mar, protegendo-os do frio. Destaque-se ainda, nesta artéria, duas casas: a Casa da Praça e a Casa Grande. A primeira, erguida no local onde primitivamente se realizava o mercado azurarense, pertenceu a Manuel Joaquim Lopes Negrão, cujo brasão de armas foi concedido pela rainha D. Maria, em 1778. Nela se instalou, durante 5 meses, o coronel das tropas miguelistas, Visconde das Azenhas, natural de Guimarães, obrigando o proprietário, liberal, a fugir. A Casa Grande pertenceu ao Dr. Eugénio da Cunha Freitas que, durante anos, residiu na freguesia dedicando à sua história e monumentos muito do seu labor de investigador. Chegados à Igreja Matriz é tempo de nos despedirmos de Azurara e rumar até Retorta.

Procuremos a Rua Cimo de Vila e depois a Rua do Corgo. Passada a linha do Metro do Porto, de imediato, à esquerda, encontramos a Fonte do Corgo, construída pelos Frades do Convento de Azurara, cuja água era famosa pela sua pureza e leveza. Prossigamos pela mesma artéria, que muda de nome quando se entra na freguesia: estamos agora na Rua Casal do Monte. Surgem as primeiras Casas Agrícolas, ostentando a da travessa de Casal do Monte, sita na fronteira poente de Retorta, a data de 1748 na padieira da entrada. Continuemos até ao edifício da Escola do 1º ciclo, construção que se enquadra na tipologia arquitetónica escolar do Plano Centenário.

Um aprazível largo, servido de coreto inaugurado com pompa e circunstância em 20 de Julho de 1957, introduz o visitante no Largo de Santa Luzia. A capela, dedicada à Santa advogada dos olhos, é palco de arraial concorrido que, anualmente, acontece no mês de Julho. Prossigamos agora pela Rua das Casas Novas, designação já utilizada em 1936, e que se pensa foi atribuída em função da expansão ocupacional da freguesia, até ao Largo do Cruzeiro. Nesta artéria, encontramos a moderna Igreja paroquial construída com o legado do retortense, emigrante em terras brasileiras, Lino Damásio.

Detenhamos agora a nossa atenção no imponente Solar das Serafinas, construção com a data 1878 inscrita no umbral da porta. Continuemos em direção à Travessa da Igreja, onde se localiza a primitiva igreja paroquial, setecentista, com torre sineira invulgarmente adossada à cabeceira do templo. Nesta igreja, serviu como abade, Carlos Pereira, segundo primo do escritor José Régio e um dos celebrantes das três missas, tradição sufragista das almas familiares, mantida pela madrinha Libânia no seio da família Pereira. O seu carácter esmoler fez com que morresse na penúria, deixando a paróquia em igual sorte.

Antes de continuarmos, uma breve alusão ao Castro de Retorta, que se avista numa elevação das imediações e se localiza em terreno privado. Embora a primeira referência documental à localidade date de 1008, os vestígios do povoado castrejo atestam uma ocupação anterior, facto explicável pela abundância de terra arável e fértil e pela proximidade de uma via de comunicação natural como era o Ave.

Continuemos na direção da Rua das Azenha, até ao rio. Ainda subsiste um moinho, desativado há algumas décadas. Neste local, sobressai uma imponente construção, propriedade que foi da Companhia Rio Ave, unidade fabril situada na outra margem e que deu emprego a centenas de retortenses. Neste edifício, funcionou uma sala de ensino primário. Voltemos novamente ao Largo do Cruzeiro onde se ergue o mesmo em granito e prossigamos pela Rua Fonte da Torre. Nesta artéria, na do Outeiro e na do Casal encontramos a maior parte das Casas Agrícolas da freguesia, algumas ainda em atividade, outras restauradas e adaptadas a funções exclusivamente residenciais e num dos casos transformada em unidade hoteleira: Quinta do Casal, Casa Lino Damásio, Quinta Souto Maia, Casa da Fonte.


A visita a Retorta está concluída e encontramo-nos de novo no Largo de Santa Luzia com destino a Tougues. Sigamos pela Avenida Dr. Fernando Gomes, onde, ainda dentro dos limites de Retorta, se localiza mais uma casa agrícola: Casa dos Peniche.

Chegamos à Rua Central de Tougues. Propomos fazer um desvio antes de entrar na urbe touguense: encaminhemo-nos para a Capela de Nosso Senhor do Padrão, situada já na fronteira com Macieira da Maia. Associado ao culto do Senhor do Padrão está uma lenda que se pode remeter para as invasões árabes da Península Ibérica. No seu ímpeto conquistador, os muçulmanos tentavam avançar na ocupação do território e ao passarem por Tougues, neste local, viram-se impedidos de continuar, pela aparição do Bom Jesus. Para assinalar o milagre, foi erguido um padrão e mais tarde construída uma igreja em honra do Senhor do Padrão. O atual templo foi construído em 1767 e sofreu várias intervenções, a última das quais, nos anos 80 do anterior século, que lhe revestiu a frontaria de azulejos. A este frondoso Largo acorrem os touguenses, no último domingo de Julho, para celebrarem, com festa rija e farto picnic, Nosso Senhor do Padrão. Ao lado da capela localiza-se um obelisco sem ligação ao culto religioso, inaugurado no dia 1 de Setembro de 1940, celebrando, à semelhança do que aconteceu um pouco por todo o país, os três séculos restauração da independência e os 700 anos da nacionalidade portuguesa.

Nestas paragens existem vestígios arqueológicos de que se destacam as Mamoas do Marco da Vela, atestando, portanto, que a localidade já era habitada muito antes da 1ª referência documental conhecida: 1067. Voltemos à Rua Central e prossigamos em direção à Igreja Paroquial, Nesta rua situa-se a Casa de Torrepaço, imóvel atualmente incaracterístico, mas que se julga ter sido Paço de Mem Rodrigues, neto do Lidador e senhor da freguesia. Esta casa foi, posteriormente, comprada por um brasileiro de torna viagem, de nome Bernardino Vicente de Araújo, o grande impulsionador e patrocinador das festas grandes de Julho. O imóvel pertence, presentemente, aos seus descendentes.

Tougues foi uma das freguesias do atual concelho vilacondense, que registou elevada percentagem de emigrantes para o Brasil nos finais do século XIX e principio do XX. Confirmam-no as numerosas vivendas disseminadas pela freguesia, de adornos e conceção brasileiras, com vários pisos, exibindo varandas e mirantes em que o ferro e os azulejos são abundantemente utilizados. Nesta tipologia, enquadram-se entre outras, a Casa dos Fortuna, Casa Fernando Maia, Casa do Cruzeiro, casa da Torre.

Continuemos até à Igreja Paroquial sita na rua a que dá o nome. Lancemos um breve olhar à Casa do Cruzeiro, imóvel pertencente à paróquia e que se apresenta em estado ruinoso. A vivenda foi doação de Adelino Artur Lopes Cardoso, falecido em 1944. Defronte, localiza-se o cruzeiro que dá o nome ao Largo, delimitado por grade de ferro, construído em 1864.

A Igreja paroquial é dedicada a S. Vicente e o atual edifício foi inaugurado em Agosto de 1936, tendo sido a frontaria azulejada em 1979. A festa em honra do padroeiro de Tougues tem lugar a 22 de Janeiro e era tradicionalmente preparada por rapazes solteiros que angariavam os necessários fundos e elaboravam o programa das mesmas. Associada a esta festa anda a tradição da previsão do ano agrícola. Assim, à meia-noite do dia em que se celebra o santo, lança-se um foguete para o ar e, de acordo com o encaminhamento do fumo, prevêem-se as colheitas: soprando do norte o ano será seco e de parcos frutos; se ventar de sul será húmido, oferecendo fartura de cereais e de vinho; se o vento estiver de leste o ano será seco e agreste, mau para os cereais mas de abundante produção vinícola, já o vento oeste prenuncia chuva que propiciará abundantes colheitas. Na ausência de foguetes, iam os homens a uma elevação de terreno e desfraldavam a camisa, fazendo–se a previsão dessa forma. Este costume, que ainda hoje se mantém, serve de pretexto para serões familiares à volta da mesa, comendo ou jogando.

Contornemos agora a Igreja e dirijamo-nos para o lugar da Espinheira, junto ao Rio Ave. Lugar aprazível era, em tempos, muito procurado pelos jovens para aprenderem a nadar e para confraternizações lúdicas. O local convida ao descanso, pelo que sugerimos uma merecida pausa, antes de se embrenhar pelo emaranhado de ruas íngremes e estreitas, onde pontuam as já referidas casa brasileiras, que conferem a Tougues uma personalidade tão própria de uma pequena localidade que, embora, registe mudanças arquitetónicas por impulso da emigração para o Brasil, manteve o seu carácter de vila medieval.

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