
Museus
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A 17 de setembro de 1975, com a abertura ao público da Casa de José Régio, é dado o primeiro passo para a criação de uma estrutura museológica concelhia. Este espaço, dedicado à memória de um dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XX, é a casa onde o Poeta morreu, a 22 de dezembro de 1969, e que preparou para nela habitar depois de se aposentar do ensino, profissão que abraçou durante cerca de 30 anos em Portalegre. A casa mantém-se até hoje, de acordo com a disposição expositiva que o poeta deixou, não tendo sofrido quaisquer alterações a nível museográfico.
Em 1979, na Casa de S. Sebastião, é criada uma exposição, com peças cedidas temporariamente, potenciadora da coleção do Museu de Vila do Conde, nomeadamente no que se refere à musealização da Construção Naval de Madeira. Perspetivando-se o Museu como estrutura de salvaguarda das tradições e do património móvel deste concelho, abre ao público, em 1991, o Núcleo Museológico das Rendas de Bilros de Vila do Conde.
Esta estrutura, que tem como missão CONHECER O PASSADO / PREPARAR O FUTURO, estuda a tradição das Rendas de Bilros, em Vila do Conde, no país e no Mundo, procurando ainda novas soluções para alargar as possibilidades de escoamento das Rendas de Bilros, potenciando uma maior produção e garantindo o futuro desta técnica artesanal, um dos principais ex-libris de Vila do Conde. O desenvolvimento da noção de que os Museus poderiam funcionar como polos de atração turística e, simultaneamente, como elementos estruturais para a renovação do Centro Histórico da Cidade, faz com que os Museus Vilacondenses se localizem em edifícios recuperados, tais como a Alfândega Régia de Vila do Conde, construção do reinado de D. João II, ou mesmo em solares existentes na cidade. Para além das coleções da Casa de José Régio, das Rendas de Bilros e da Alfândega Régia, a Câmara Municipal de Vila do Conde, tem vindo a constituir uma ampla coleção arqueológica e etnográfica, abarcando diferentes categorias de objetos.
Contudo, é a complexidade do serviço museológico que nos leva hoje a preparar um projeto visando a criação de uma unidade central, adequada e moderna, com todo o tipo de infraestruturas para o Museu de Vila do Conde. Assim, foi adquirida a Casa de S. Sebastião, onde a Câmara Municipal de Vila do Conde pretende estabelecer a sede do Museu, e, para além de todos os espaços sociais inerentes à boa prática museológica, deseja também aí instalar os serviços técnicos necessários ao trabalho dos Museus.
Reservas, laboratório de conservação e gabinetes de inventário são alguns dos espaços a criar nesta nova estrutura. Para além disto, a Câmara Municipal de Vila do Conde pretende dar apoio técnico aos Museus de outras tutelas, existentes no concelho – Museu dos Bombeiros, Museu das Cinzas, Museu da Cooperativa Agrícola, Núcleo Museológico da Fundação PT, Museu de Arte Sacra – os quais, desde 2000, estão ligados por um protocolo de cooperação consubstanciado na criação da Rede de Museus do Concelho de Vila do Conde.
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 A peça do mês
“A primitiva função atribuída ao museu foi a de guardar e mostrar objetos de significado histórico ou, como tal, tornados simbólicos de uma época ou de uma cultura. Este objetivo pressupunha, por um lado, uma atitude passiva da instituição e a continuidade da sua proposta inicial sem mudanças nem interrogações e, por outro, um distanciamento do público face ao objeto mitificado num espaço em que tudo tende a sacralizar-se em nome da História.
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A ideia de que o museu é um meio educacional em potência esteve latente a partir do momento em que se estabeleceu que a introdução de cada objeto num conjunto museológico devia ser presidida por critérios de significado histórico ou valor estético ou científico. Esta noção, tendo germinado ao longo dos séculos, encontra-se, hoje, perfeitamente inserida no próprio conceito de museu público.
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A Humanidade sofreu, em pouco tempo, modificações profundas na sequência de uma época de revoluções políticas, sócio-económica e, por inerência, culturais. A democratização; o advento de uma nova estrutura social com o operariado e a média-burguesia; as novas relações de trabalho; a industrialização e a produção em série; a criação de grandes espaços urbanos sem história e sem tradição; os novos hábitos de consumo; a velocidade das atuais formas de comunicação e transporte; a invasão dos meios audiovisuais; em suma, toda a evolução do modo de vida deu-se no sentido da massificação e da aceleração provocando no indivíduo, cada vez mais carente de pontos de referência no tempo e no espaço, uma viragem para a descoberta da história humana.”
ROQUE, Maria Isabel Rocha, Lisboa, 1990, A Comunicação no Museu - Dissertação Final do Curso de Pós Graduação em Museologia e Património Artístico, Lisboa, Universidade Lusíada de Lisboa.
Os museus nasceram, cresceram e evoluíram, procurando dar respostas cada vez mais adequadas aos seus públicos.
Com este projeto pretendemos, num local improvável, dar a conhecer algumas das peças dos Museus de Vila do Conde e suscitar o interesse pela sua visita.
Museu de Vila do Conde
Alfândega Régia – Museu da Construção Naval | Nau Quinhentista | Casa do Barco
Casa de José Régio
Centro de Memória (Núcleo Central do Museu de Vila do Conde)
Museu das Rendas de Bilros
Museu de Arte Sacra
Museu dos Bombeiros
Museu das Cinzas
Museu da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde
Museu Vivo da Comutação Manual (Vilar)
Largo S. Sebastião
4480-757 Vila do Conde
Telefone: 252 617 506
Terça a domingo: 10h00 às 18h00
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