Reforma da Organização Judiciária
19 de Julho, 2012

Discordando da proposta elaborada pelos técnicos do Ministério da Justiça em relação ao assunto em epígrafe, os Presidentes das Câmaras de Vila do Conde e Póvoa de Varzim solicitaram uma audiência à Ministra da Justiça, tendo sido ontem recebidos pelo seu Chefe de Gabinete, Dr. João Barros e pelo Diretor-Geral da Administração da Justiça, Juiz Desembargador Dr. Pedro Gonçalves, tendo-se feito acompanhar pelos representantes da Ordem dos Advogados dos dois Municípios.
Os dados apresentados, e já antes enviados à Ministra da Justiça, demonstram a ilógica da proposta elaborada pelo Ministério, cujas consequências, no caso de ser posto em prática o seu conteúdo, esvaziarão de competências os dois Tribunais e afetarão pessoal que hoje lá trabalha, a população em geral e advogados em particular, economia local e a própria dignidade municipal, para além de ser dificultado e tornado mais caro o acesso à justiça.
Com efeito, pretender centralizar tudo em Matosinhos e Porto é um disparate imperdoável e uma incrível afronta aos vilacondenses.
A realidade é a seguinte:
• No último ano, em Vila do Conde decorreram 4.460 processos e na Póvoa 3.676.
Em Vila do Conde trabalham 11 juízes e na Póvoa 5.
Então, como é aceitável, reduzir a atividade que cá se desenvolve praticamente a zero, apenas a uns limitados processos ligados à pequena criminalidade?
Na reunião em Lisboa, o eng.º Mário Almeida, que foi acompanhado dos advogados Dr.ª Maria José Regufe, Dr. Álvaro Freitas e Dr. Pedro Ferreira, deixou claro considerar ser adequado que nos tribunais de Vila do Conde e Póvoa deveriam ficar todos os processos cíveis e criminais, os processos de execução e tudo o que se refere a Trabalho, Família e Menores.
Efetivamente, não se concebe que a generalidade dos processos e julgamentos passe a realizar-se em Matosinhos, para onde terão eventualmente de se deslocar queixosos e arguidos, advogados, testemunhas, familiares e quem pretender assistir aos julgamentos.
Será que a Sr.ª Ministra da Justiça não vai meditar sobre tudo isto? Será que o objetivo é que as pessoas recorram menos à justiça, afastando-a para mais longe e tornando-a objetivamente mais onerosa? E será que não se percebe quanto prejuízo tal precipitada decisão vai provocar na economia local, especialmente na ligada aos serviços, ao comércio e à restauração?